A inteligência artificial é muito mais do que uma moda. No ambiente empresarial atual, ela tem se tornado uma excelente ferramenta para automatizar processos e otimizar recursos.

Graças a essa tecnologia, as empresas podem desenvolver estratégias inovadoras em diferentes áreas. Assim, facilitam as tarefas de seus funcionários e melhoram a experiência de seus clientes.

Uma pesquisa realizada pela Adobe revelou que, atualmente, 15% das empresas já usam IA e 31% planejam começar a usar nos próximos 12 meses.

Apesar da popularidade, o campo da inteligência artificial pode acabar parecendo assustador.

Mas isso acaba hoje. Neste artigo, Juan Biondi, Head of AI da Aivo, esclarece conceitos e dúvidas para que você aprenda ou atualize seus conhecimentos fundamentais sobre a IA.

Engenheiro da Computação, Juan lidera pesquisas sobre processamento de linguagem natural, machine e deep learning aplicados às soluções da Aivo.

Sua frase de destaque?

“A inteligência artificial é maravilhosa, mas não há nada de mágico nela.”

Pode nos dizer, de modo geral, o que é inteligência artificial?

Ao falar de inteligência artificial, a primeira coisa que nos vem à mente é uma máquina que imita funções cognitivas dos “seres inteligentes”, como raciocinar, aprender ou resolver problemas.

De uma forma mais acadêmica, a IA é “a capacidade de um sistema de interpretar corretamente dados externos para aprender com eles e usar tal conhecimento para realizar tarefas e alcançar metas concretas por meio de uma adaptação flexível”.

Diferentemente do que muitos pensam, talvez inspirados pela ficção cientifica, a IA ainda não é uma “inteligência geral”, e ainda faltam alguns anos para que chegue a esse ponto. Também não se trata de um sistema capaz de resolver quase qualquer tarefa como um humano faria (como o Exterminador do Futuro ou o Homem Bicentenário).

Na verdade, a IA que conhecemos hoje representa uma “inteligência limitada”. Ou seja, um sistema é inteligente o bastante para realizar uma tarefa específica. No entanto, não é capaz de fazer coisas que estejam além da atividade para a qual ele foi programado.

Quando falamos de inteligência artificial, o que exatamente é a “inteligência”? Em outras palavras, o que faz com que uma tecnologia seja “inteligente”?

Em geral, chamamos essa tecnologia de “inteligência” porque ela imita o que entendemos como comportamento inteligente. Por exemplo, aprende com as experiências e deduz como solucionar um determinado problema.

Por outro lado, para entender o quão “inteligentes” são os sistemas atuais, podemos considerar o que o renomado pesquisador de inteligência artificial Andrew Ng sugeriu como uma “regra de ouro imperfeita”. Segundo ela, “quase qualquer coisa que um humano comum possa fazer com menos de um segundo de pensamento mental pode ser automatizada com o uso da inteligência artificial”.

No futuro, a “inteligência” dessas máquinas seguirá evoluindo. Além disso, 42% dos pesquisadores de IA prevê que até 2030 teremos uma inteligência artificial similar à inteligência humana.

Qual é a diferença entre Machine Learning e Deep Learning?

Há muitas formas de inteligência artificial. É um campo muito amplo, com diferentes segmentos.

Um deles é o chamado Machine Learning (ou aprendizagem automática). A aprendizagem automática pode ser definida como uma forma de desenvolver sistemas para realizar uma determinada tarefa sem programá-los especificamente para isso. Ou seja, um sistema é treinado para aprender por conta própria.

Para isso, implementa-se um determinado algoritmo que define como o sistema deve aprender a realizar uma tarefa. Em seguida, o sistema é treinado por meio de exemplos. Para tal, deve-se indicar ao sistema as características que devem ser consideradas para a realização da tarefa. Assim, o sistema torna-se capaz de tomar decisões com base nas informações estabelecidas.

Por outro lado, o Deep Learning (ou aprendizagem profunda) é um segmento de Machine Learning que usa algoritmos capazes de “identificar por conta própria” quais são as características importantes em um conjunto de dados crus de acordo com o contexto em que se encontram.

Você acredita ser essencial que as empresas incorporem tecnologias com IA? Por quê?

Não diria essencial, mas é altamente recomendável. A inteligência artificial pode facilitar e agilizar muitos processos e reduzir consideravelmente os custos, erros e prazos de entrega em geral.

Ela permite principalmente que nos concentremos em atividades mais complexas e deleguemos tarefas rotineiras para que os sistemas autônomos as resolvam. Por exemplo, no caso do atendimento ao cliente, podemos deixar que um bot inteligente responda à maioria das consultas de forma autônoma. Assim, os agentes humanos participariam apenas de situações que realmente o exigissem.

As vantagens são infinitas: disponibilidade 24/7, resolução rápida de dúvidas ou problemas, menos esforço por parte do consumidor e maior segurança e privacidade. Ainda, graças à IA, as interações podem ser personalizadas para cada tipo de cliente com base na direção tomada pela conversa.

Qual conselho você daria a uma empresa que nunca usou inteligência artificial e deseja incorporá-la à sua estratégia de atendimento ao cliente?

Algumas recomendações que eu daria a alguém que está pensando em incorporar essa tecnologia são:

1. Não aplicar a IA somente para ser inovador. Sua implementação deve pertencer a uma estratégia alinhada aos objetivos e à missão da empresa como um todo. Além disso, ela deve resolver problemas.

2. Nem todas as empresas têm a capacidade ou os recursos necessários para desenvolver sua própria IA. Nesse caso, é recomendável contar com parceiros e fornecedores de soluções de IA que já tenham a tecnologia desenvolvida e pronta para aplicação em diferentes casos e setores.

3. É recomendável que, desde o começo, tenha-se em mente que a IA não vai resolver todos os problemas nem substituir os funcionários. A tecnologia deve trabalhar em colaboração com as equipes. Há certas características e habilidades humanas, como a criatividade e a sensibilidade, que permitem a resolução de problemas de maior complexidade. Nenhuma delas pode ser substituída por uma máquina. O que a IA pode fazer é ampliar as possibilidades das pessoas, sugerindo respostas automáticas, oferecendo atalhos, colaborando na resolução de problemas e auxiliando na execução de tarefas diárias.

4. Para resolver problemas de forma eficaz, a IA precisa de dados de qualidade e em quantidade. Esses dados devem conter informações o bastante para responder e solucionar problemas. Além disso, devem ser variados de forma a representar a maior quantidade possível de situações e, assim, treinar o sistema.

Como você imagina a tecnologia dentro de dez anos? O que acha que vamos incorporar à nossa vida diária e que ainda não conhecemos?

Eu diria que a inteligência artificial já faz parte de nossas vidas. Se pensarmos bem, já temos assistentes virtuais como a Alexa ou chatbots especializados que resolvem grande parte das nossas consultas.

Na minha opinião, em menos de dez anos a IA já estará tão internalizada em nossas vidas que será algo natural, rotineiro.

Os usos no presente já são quase infinitos e em diversos âmbitos. Muitos usos servem apenas para entretenimento dos usuários. Esse é o caso do Affine Layer, que cria uma imagem fotorrealista usando um “doodle”.

Outros ajudam a gerar mais dados em áreas de maior impacto, como a saúde e a indústria de entretenimento.

Na verdade, a tecnologia utilizada para aplicativos de “recreação”, como o FaceApp, é a mesma utilizada para detectar e identificar os diferentes tipos de câncer de mama, por exemplo.

Nesse sentido, o futuro estará repleto de inteligência artificial. Os carros autônomos, os robôs para tarefas domésticas e os assistentes virtuais já fazem parte de nossas vidas e, no futuro, estarão ainda mais inseridos em nossa rotina.

Como a Aivo implementa Inteligência Artificial em suas soluções?

A Inteligência Artificial é um dos aspectos essenciais da nossa proposta de valor. Nossa suíte de produtos, que inclui soluções de chatbot, live chat, voz e base de conhecimento, procura ajudar as empresas na gestão de atenção e no desenvolvimento de uma experiência do cliente usando Inteligência Artificial.

Nós usamos principalmente IA conversacionalmente, para compreensão e empatia. Com isso, garantimos que nossas soluções entendam as intenções por trás das perguntas dos usuários.

Para isso, entre outras coisas, usamos a NLP tradicional, o Deep Learning baseado em “embeddings” com redes LSTM e diferentes tipos de modelos de Machine Learning. Essa tecnologia não serve apenas para entender os clientes, mas também para ajudar os agentes em interações ao vivo.

Graças à IA, nossas soluções permitem que as empresas interajam com seus clientes em um nível mais profundo, com linguagem natural, em todos os momentos e de forma automática. Se você fico curioso ou curiosa, aqui você encontrará como funciona nossa IA com um pouco mais de detalhes.

E você, o que acha da inteligência artificial?

Depois de tantas informações, acho que você terá centenas de perguntas.

Deixe a timidez de lado e nos escreva um comentário. Amamos falar sobre isso (sobre todos os assuntos, na verdade!).

Até a próxima!